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Publicação

CASA VIRTUAL: a internet na vida da família

A internet é a maior criação tecnológica após o surgimento da televisão nos anos 50, concebida inicialmente para fins militares durante a guerra fria, passou a ter uso popular em 1990, a impressionantes e alucinantes vinte e três anos, diria, tempo suficiente para transformação da sociedade pós-moderna, que comparativamente à revolução industrial precisou de 200 anos para consolidar. Tive a oportunidade de estar presente à época do lançamento da internet no Brasil, pela então estatal Embratel, confesso que nada entendi pois, a partir daquele instante, os brasileiros passariam a ter a oportunidade de “surfar” na rede! Entre os presentes naquele auditório, não poderíamos imaginar que se chegasse tão longe e em tão pouco tempo, assim como hoje seguramente não temos como imaginar onde a internet nos levará nos próximos dez anos e as transformações sociais que vivenciaremos, mais é certo que teremos grandes transformações e o ultra de hoje será antigo.

O surgimento de provedores e portais de busca alavancou o uso da internet e hoje é inimaginável o mundo sem ela nos lares de todo planeta, seja de forma direta ou indireta, e estar conectado tornou-se uma necessidade de extrema importância, seja para fins de busca de conhecimento, relacionamento pessoal, afetivo, profissional, notícias, serviços, a exemplo de navegar por uma cidade desconhecida utilizando-se de um mapa virtual com GPS em um celular, ou tradutor de idiomas, localizar fornecedores de produtos e serviços, melhor rota no trânsito, que ônibus pegar e… a que horas ela vai passar. Trazer a sua agencia bancária, o supermercado, entre tantos outros fornecedores, para tela do seu computador. Quem com mais de quarenta anos imaginou algo semelhante na sua juventude? Nem os filmes de ficção cientifica hollywoodianos, chegaram a tal!

As redes sociais viraram febre, seu boom no Brasil se deu a partir de 2006; em 2010 a vez foi dos sites de compras coletivas e devo confessar que já existe outra grande sacada que em breve surfará em nossas vidas promovendo mais revolução. Novidades estas que chegam a velocidades alucinantes, impactando na cultura, comportamentos, relações pessoais, na forma de produzir, comprar vender, aprender ensinar, compartilhar, no surgimento e desaparecimento de profissões, criando um mundo novo a cada estação. E neste mundo, à deriva, está a família, aturdida sem uma certeza de que postura adotar, das consequências desta “viagem”, questionando se estaríamos no olho do furacão ou na cabine de um bólido ultramoderno.

Tranquilizo os que sabendo usar os benefícios superarão os riscos, estes últimos que não podem ser ignorados, a fronteira entre o virtual e o real será cada vez mais indefinida, pode ser instrumento de estreitamento de relações ou de afastamento, conflitos e manipulações, devemos estar alerta e não acreditar de pronto em tudo que nos chega pelos spam, estimo que 80% destes sejam mentira ou fatos distorcidos e paira por trás de sua origem, interesses que não visam ao bem da sociedade.

Para redução dos riscos, devemos nos posicionar como controladores da “criatura” e não controlados por ela, cuidados devem ser adotados pela família e muitas são as instituições que desenvolvem um trabalho valoroso em prol de apoio a estes novos desafios, como é o caso da http://www.safernet.org.br. Outra fonte de orientação e apoio é o canal HelpLine Brasil – http://www.helpline.org.br.

A Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias, WIN-INFRA, http://www.wan-ifra.org, com sede em Darmstadt, na Alemanha, e em Paris, França, lançou a publicação “The Internet Andthe Family – A Internet e a Família”, com intuito de ajudar os pais a orientarem seus filhos no uso da internet. Uma das principais orientações do guia propõe que a família pactue um “código de conduta” para uso da web, ajustando este a seus valores e realidades, não existindo assim código único, pois não existe família igual. As crianças devem ser envolvidas no processo de criação deste código, levando-as a aprender a conhecer melhor a internet e fazer seu uso com responsabilidade e segurança.

Segue um exemplo de “código de conduta”, dado pela publicação:

1. Ninguém está autorizado a mudar o lugar do computador. Ele deve estar sempre na sala.

2. Ninguém está autorizado a visitar sites pornográficos, racistas ou que incitem o ódio ao outro.

3. Não é permitido que ninguém cometa agressões ou faça ameaças por e-mail, chat ou qualquer outra forma de comunicação na rede.

4. Ninguém está autorizado a visitar fóruns de chats privados que podem ser inseguros. Antes de entrar em um novo fórum, deve-se conversar em família.

5. Ninguém está autorizado a navegar durante mais de x hora(s) por vez (o número de horas vai depender da idade das crianças).

6. Ninguém está autorizado a comprar objetos pela internet ou a assinar/inscrever-se em serviços que não sejam previamente conversados em família.

7. Ninguém está autorizado a expor informação pessoal ou familiar (nome, idade, sexo, endereço, telefone, etc) em fóruns, chats, MSN ou e-mail.

8. Ninguém está autorizado a encontrar-se pessoalmente com “amigos” conhecidos pela internet sem autorização e presença de adultos.

9. Ninguém deve responder a um e-mail desconhecido, agressivo, não desejado ou a um spam. Nesses casos, deve-se avisar sempre aos adultos.

10. Qualquer dúvida, inquietação, problema, angústia ou situação desagradável deverá ser informada aos adultos de casa.”

Alberto Maia, com Marilene, diretor social da Escola de Pais do Brasil, secção Salvador.