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Educar filhos hoje é uma missão para poucos

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Por José Anildo da Silva

Um olhar distante de pai.

O infinito para o filho.

Olhando o horizonte,  ambos sabem que é possível chegar até lá e descobrir o que há além. Assim como os barcos que singram os mares em busca do novo.

O egoísmo e a intolerância são determinantes contrários para criar e educar uma criança, por isso  se tornou uma missão quase impossível  dos pais.

A disponibilidade e o compromisso do pai e da mãe em caminharem juntos e de mãos dadas durante todo o desenvolvimento de um filho em crescimento, cuja dependência é absolutamente  importante para uma maturidade sadia e bem resolvida, o que leva esses pais perderem a noção do grau de complexidade dessa árdua tarefa. Pais egoístas cultivam uma vaidade doentia, pois, o seu individualismo somente permite olhar para o próprio umbigo. Já o intolerante tem dificuldade de se abrir ao diálogo e ouvir o outro. Pais educadores devem desenvolver instintivamente a sabedoria de falar ensinando e a humildade de aprender ouvindo.

Na convivência pais e filhos, cada instante é um desafio. Esses adultos devem estar sempre atentos, pois cada desafio é algo novo acontecendo. Cada momento é único, somente vivenciado uma vez.  A vida real não tem replay. Mesmo na primeira infância, de 0 a 3 anos, fase a qual a criança só retém o que lhe interessa, os momentos factuais que a leva sentir dor, susto ou algum incômodo, não são iguais. Outro aspecto bastante relevante é a presunção de muitos pais encararem a criança, em determinados momentos, como um pequeno adulto. Querer que a criança amadureça antes do tempo chama-se “queimar etapas” e isso é uma postura danosa para o desenvolvimento, isso porque poderá trazer conseqüências ruins mais tarde. Poderemos exemplificar da seguinte maneira: se uma criança aos dez anos de idade ao invés de estudar e brincar com outras crianças for colocada nalguma atividade produtiva  com os pais, podando de certa forma um saudável período de brincadeiras em grupo na infância, com regras determinadas em que o perdedor e  vencedor aprendem a serem  toleráveis e racionais o que lhe dará senso de partilha e responsabilidade, pode crescer traumatizado pelo vazio da infância que não teve.

O crescimento e o desenvolvimento de uma criança é composto de fases bem definidas e em cada uma dessas  fases tem suas peculiaridades, tanto motora, quanto psicológica, como emocional que precisam ser estimuladas.

O meio ambiente e os estímulos recebidos são fatores determinantes no desenvolvimento da criança, por isso que um lar harmonioso e uma convivência relacional amorosa entre pais e filho torna de fato um quadro emocional ideal. O reflexo resultante dessa cumplicidade é visto na velhice dos verdadeiros pais. É raro se vê pais que foram amorosos e carinhosos com seus filhos acabarem abandonados ou nos asilos para idosos. Pois, tudo que foi construído com amor e abnegação é recompensado da mesma forma, pois a relação afetiva e simbiótica da relação pais e filhos, é sólida. É oportuno lembrar que o ser humano nasce frágil nos primeiros anos de vida, por isso necessita dos cuidados dos pais, e na velhice aos olhares da decrepitude senil ocorre com a mesma fragilidade, daí precisa dos cuidados dos filhos. Seria tão bom que todos entendessem essa regra. É comum ouvir de idosos nos albergues da vida a lamentação sobre as ingratidões de seus filhos – “Fiz tudo por eles, e hoje me encontro abandonado neste lugar. Nenhum vem me visitar”. No entanto, aqueles que deram a vida por seus filhos e se veem diariamente ao seu lado cuidando de suas doenças, dos seus medicamentos, dando-lhes banho, trocando suas roupas, tratando como verdadeiros bebês quando nos seus primeiros anos de vida. Este sim, vive o verdadeiro ciclo do amor.

O sorriso do amor fraterno de um filho massageia o coração e a alma de um pai.

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Criar e educar bem seus filhos intensamente e sem restrições é pressuposto de uma velhice feliz.  Pois, “cada beijo que tu deres em teu filho, muitos beijos receberás”.